domingo, 7 de abril de 2013

O incrível (e pouco desbravado) mundo dos vinhos Uruguayos

A um bom tempo que sonho em escrever este post. Nele pretendo falar um pouco de vinhos nada conhecidos por nós brasileiros mas que, em minha opinião, arrebentam nos quesitos sabores, aromas e qualidade, além é claro de um custo-benefício excepcional. Falo dos vinhos provenientes do Uruguay, país considerado por muitos a Suíça da América Latina, com uma gente saudosa e tão apaixonada por futebol quanto nós brasileiros e com um exuberante potencial vitivinicultor. Lá, eles apreciam muito a bebida, dos mais simples, até os crus oferecidos pelas melhores vinícolas do país, que é situado entre as latitudes 33 e 34, com estações perfeitas para o cultivo de uvas. Valente, o Uruguay vem ganhando notoriedade mundo afora, deixando seus vizinhos produtores um tanto invejosos. Uma curiosidade é que a colheita de uvas no Uruguay todo é 100% manual, outra é o fato de a uva tannat, originária da França, se desenvolveu tanto em terras uruguayas que atualmente o país é o maior exportador de vinhos da casta.

Do Uruguay falo com um grande carinho pois lá morei durante um tempo e foi por ali que minha paixão pelos vinhos começou. Visitei diversas vinícolas, participei de degustações, festivais, encontros, acompanhei o processo de produção da colheita ao engarrafamento, ajudei na colheita, etc... Aproveitei o máximo que pude, provando das grandes vinícolas às pequenas bodegas familiares acabei escolhendo meus favoritos e decido dividir aqui.

Neste post abordarei apenas os vinhos tintos do Uruguay, deixando os brancos, espumantes e doces (de sobremesa) para outro post. Não poderei abordar (obviamente) todos os vinhos tintos do país, falarei minha opinião, quanto aqueles que eu realmente indico, por vinícola. Vale ressaltar ainda que fiz um apanhado, e que ainda posso criar posts futuros descrevendo melhor cada um dos vinhos abaixo:

- Bodegas Carrau:
Uma potência, os uruguayos podem se orgulhar das Bodegas Carrau. Produzem vinhos de altíssima qualidade, com muita tradição, recomendo toda a gama da Carrau. Curiosidade: um de seus vinhedos fica em Cerro Chapeu, em Rivera, fronteira com o Rio Grande do Sul.
http://www.bodegascarrau.com/

Juan Carrau Pujol Gran Tradicion 1752:

Espetacular expoente da vinícola, não podia deixar de começar por um dos vinhos que mais gosto e de longe, meu uruguaio favorito. Assamblage de Tannat, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon, repousa em carvalho francês por 18 meses. É uma sinfonia no paladar, taninos elegantes, encorpado e robusto, com traços de ameixa e final persistente. Recomendo muito decantar. Aroma é de tabaco e um pouco de pimenta. Este vinho merece um post só para ele, para contar sua história! No Brasil custa cerca de R$ 150,00.

- Vinos Finos H. Stagnari:
Muito cuidado para nao confundir! No Uruguay existem duas vinícolas com o nome "Stagnari", a que recomendo, inclusive para visita é a Vinos Finos H. Stagnari. A vinícola é pequena e charmosa, vale muito a pena visitar. Apesar de uma gama bem menor, os vinhos que eles produzem também são de altíssima qualidade, além de ser um estabelecimento muito familiar e relativamente novo.

Daymán "Castel La Puebla" Tannat:

Este vinho é um caso sério! Um tannat que engana fácil em uma degustação às cegas. Hector Stagnari conseguiu amaciar devidamente este puríssimo tannat. Os taninos ficaram aveludados sem perder o seu corpo e complexidade. O melhor exemplo do quanto a uva tannat se desenvolveu e se fixou no Uruguay. Na boca, notas de frutas vermelhas maduras, final prolongado. O bouquet é de especiarías, até arriscaria cardamomo. Recomendo decantar. Vermelho rubí intenso. Em Brasília está na faixa de 100 reais na Super Adega.

La Caballada Tannat/Merlot:
Uma pena, não encontrei fotos deste que ficassem legal, mas este era de longe o melhor custo benefício quando eu morei no Uruguay. Um vinho perfeito para o dia a dia. Comprava de caixas para se ter em casa. Era um tannat/merlot equilibrado, que acompanhava diversos pratos. Um leve gosto de amoras e aroma que lembrava muito cravo. Que saudade de ter este vinho em minha adega! Não vende no Brasil!! No Uruguay, nos supermercados custava o equivalente em pesos a 20 reais.

Tannat Viejo:
Um vinho muito conhecido internacionalmente, ainda da H. Stagnari, para mim o Tannat Viejo nunca me chamou atenção. Mas, se ficou tão famoso assim fora do Uruguay, alguma razão tem! Está entre os melhores vinhos tintos do mundo e foi eleito o melhor tannat do mundo. Sim, já bebi, recomendo pela fama... De fato, não chamou minha atençao. Em Brasiília, se encontra na faixa de 60 reais, já ví na Super Adega.

- Establecimiento Juanicó - Familia Deicas:
Se pronuncia ruanicô, com acento agudo, e é a maior vinícola do Uruguay. Uma estrutura muito bonita, antiga e conservada, que ja serviu para produção de conhaque a muitos anos. Vale muito visitar também, os guias são bem preparados e simpáticos e a degustação no inverno, para grupos pequenos é feita na frente da lareira, uma delícia. Os vinhos, nem preciso comentar, é a maior exportadora do país.

Preludio:
Já tem um post específico para o Prelúdio que você pode conferir aqui.

Don Pascual Tannat Roble:
Como o próprio nome diz, roble (carvalho) está fortemente presente nesse vinho. Muito encorpado, acompanha bem com um charuto, com queijos fortes e carnes de caça. A coloração é rubi-violeta, aroma de temperos, sabor um tanto amadeirado. Vale decantar, os aromas abrem muito apos uma hora respirando. Recomendo aos que gostam de um cordeiro, acompanha tão bem como queijo e goiabada. No Brasil só vi na internet na faixa de 50 reais, vale cada centavo!
Cuidado para nao confundir com o vinho abaixo.

Don Pascual Tannat:
No Uruguay existe uma categoria de vinhos finos chamados VCP (Vino Calidad y Precio), é uma sigla adotada por eles para designar vinhos muito bons a preços acessíveis. Caso do Don Pascual tannat, o qual figura nesta lista por ser um vinho para o dia a dia. Com taninos não muito maduros e corpo médio o Don Pascual tannat é um vinho que surpreende pela preço que se paga. Frutas vermelhas e temperos no nariz e na boca, com acidez média, é um excelente tannat de entrada para o dia a dia. Em Brasília encontra-se facilmente no Carrefour ou Pão de Açucar, cerca de 20 reais.

- Bouza Bodega Boutique:
Considerado por muitos a melhor vinícola do Uruguay, a Bouza realmente tem o seu valor. Pequena e com produção reduzida, tem uma boa gama de exemplares de tannat. Aliás, o interessante é que a Bouza produz vinhos tintos apenas das uvas tannat, merlot e tempranillo. Seu carro chefe, o Monte Vide Eu terá seu post específico por aqui!

Tannat A7 - 7 Barricas Parcela Única:

Para mim é o vinho mais especial das bodegas Bouza. O curioso é que a bodega define com a letra A as uvas provenientes de seus vinhedos em Canelones (Melilla), com a letra B as uvas provenientes de seus vinhedos mais afastados em Flores (Las Violetas). E número define a parcela de cada terroir de onde as uvas saíram, assim este vinho vem de Canelones em sua sétima parcela da plantação. Por que este vinho é tão especial? Porque a sétima parcela dos vinhedos de Melilla tem posicionadas em seu solo, logo na superfície, pedras de granito rosa, que refletem a luz solar nas uvas deixando-as com um sabor inigualável! Na boca é muito aveludado, um inicio adocicado e um final com notas de ameixa e tabaco. O aroma é de alcaçuz e um pouco de ameixa. No Brasil somente encontrei na Decanter online por cerca de 230 reais.


Pois bem, estas são minha recomendações para tintos uruguayos. Na verdade tenho muitos outros a recomendar, muitos deles terão postagens especiais, vou me lembrando e postando aqui! Outro dia faço o post com os brancos, espumantes e doces.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Restaurante Figueira da Villa, em março de 2013

Amig@s,

Na postagem de hoje vou comentar sobre um novo restaurante que está dando o que falar em Brasília. O Figueira da Villa, que como o nome sugere está situado na Vila Planalto. Ha mais ou menos duas semanas, me deparei com uma reportagem no Correio Braziliense falando sobre esta nova parrilla de origens uruguaias e por ter aquela grande simpatia por tudo que é uruguaio, não perdi tempo e fui lá provar. O gosto foi tanto que já estive lá novamente e pretendo voltar ainda muitas vezes. Vamos a isto?

A casa:
Fácil de chegar, entrando pela entrada principal da vila (detrás da esplanada), é só virar a esquerda e seguir até o restaurante a direita. Espaçoso e bem decorado, foi erguido ao redor de uma linda figueira, que dá nome ao local. Uma bonita adega lhe recebe logo na entrada, com uma iluminação que dá um toque super especial ao lugar seja durante o dia e mais ainda a noite. O atendimento é gentil e atencioso, ponto para o proprietário que em ambos os dias passou nas mesas perguntando como estava tudo.

Os pratos:
Da primeira vez que fui: pedi umas linguiças de cordeiro de entrada, estavam no ponto, com um gosto bem sutil para uma carne forte como a de cordeiro. De principal fui de Bife Ancho (o contra-filé dos uruguaios), extremamente macio, saboroso e ainda acertaram em cheio o meu ponto de cozimento, foi preparado a perfeição, a sensação que tive foi que minha carne foi preparada com muito carinho para estar à minha mesa. Acompanhamento de arroz parrillero (um tipo de arroz biro-biro) e farofa de ovos, tudo bem servido e dessa vez sem vinho (lei seca nos matando). Foco no molho chimichurri, o melhor que já provei fora do Uruguai. Da segunda vez que fui: pedi a paleta, prato que serve bem três pessoas, extremamente macia (fora do comum) e saborosa, ponto de cozimento mais uma vez perfeito, acompanhamento de arroz com brócolis e farofinha de ovos. Desta vez, como não era eu o motorista da rodada, dá-lhe carta de vinhos! Algumas boas surpresas, preços razoáveis mas nada extravagante. Para acompanhar um asado uruguaio (se é uruguaio, só leva um “S”, viu?), tem que ser tannat, Don Prospero tannat-merlot 2010. Como sobremesa, uma panqueca recheada de doce de leite (uruguaio, claro) com bolas de sorvete de creme. DOCE, mas deliciosa.

 O vinho – Don Prospero tannat-merlot 2010:
 
 Este já era um conhecido meu, ficarei devendo aqui um post somente sobre os tannats uruguaios e suas variedades. A Pisorno, vinícola em questão não é das mais conhecidas do Uruguai, mas tem excelentes representantes em seu terroir. Definir em uma palavra o vinho do dia? EQUILIBRADO. O corte de merlot fez com que o tannat baixasse sua crista tânica, deixando o vinho com um sabor muito equilibrado, corpo médio, final persistente. Na boca, notas de mel e ameixas; no nariz, especiarias e framboesas. Acompanhou como uma sinfonia, o chimichurri e aquele corte de paleta que parecia derreter na boca.

 O preço:
Os cortes de carne variam de 60 a 90 reais. Os acompanhamentos de 8 a 25 reais. Tudo bem servido e preparado a perfeição. Recomendo muito, para os apreciadores de uma carne perfeita.

Contato:
Figueira da Villa - 3081-0541
www.figueiradavilla.com.br

sábado, 23 de março de 2013

O retorno.

Carissimos amig@s, Fazia já um bocado de tempo que não aparecia por aqui. Hoje, em uma noite sem sono, lembrei do meu esquecido blog. Pensei: por que não voltar a escrever??? Eu já havia até excluido algumas postagens, queria fazer uma boa reforma aqui, mas me faltava tempo. A correria do dia-a-dia me afastou de voltar a escrever algo que tanto gosto... Hoje, sem dormir, em uma noite de sábado, véspera de uma viagem ao litoral, tirei o pó do teclado e decidi voltar a movimentar isso daqui! A cara do blog não é nova não! Prá quê, né? Agora, as postagens serão! Continuarei, claro, com as recomendaçōes de vinhos que o pessoal sempre comentou e gostou muito! No entanto, quero comentar mais de restaurantes aqui da nossa capital. Brasília tem crescido, e me surpreendido cada dia mais com as suas opções gastronômicas, e porque não elogiar (ou criticar) essa diversidade por aqui? É isso confrades! Hoje estou cansado, mas a decisão está tomada, amanhã postagens novas estarão por aqui!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Preludio 2004 – Família Deicas – Establecimiento Juanicó

Queridos amig@s,


Hoje falarei de um dos meus favoritos um orgulho para os uruguaios e uma jóia para os (poucos) que conseguem um exemplar fora da República Oriental. O Preludio figura (juntamente com o 1 Cru d'Exception) como um dos vinhos "tops de linha" da vinícola Juanicó, a uruguaia que é líder no pais em exportações e em produção de vinhos possuindo uma enorme gama que vai desde vinhos para o dia-a-dia, até riquezas como o Preludio.
Um assemblage que dentre outras castas tem sua predominância de Tannat (40%), Cabernet Sauvignon (24%) e Cabernet Franc (20%). Em seu rótulo uma partitura de fundo, o brasão da vinícola vem em resina logo acima do rótulo que informa além de outras informações no número do lote daquela garrafa.
Este vinho é ideal para se degustar sem qualquer tira gosto ou comida, não precisa de mais nada para acompanhá-lo. Um vinho perfeito para se meditar. Ainda assim vai muito bem com carnes fortes, selvagens e de caça, pratos bem temperados e condimentados ou somente queijos fortes.
Sua cor é rubi intensa bem brilhante, no nariz é complexo, defumado, tabaco e leves lembranças animais. Tem um bom potencial de guarda, uns 10 anos, no mínimo para suavizar o toque de madeira em seu paladar, além de madeira, notas de caramelo, chocolate e especiarias, acidez média que revelam excelente qualidade de taninos, final persistente que pede por mais um gole.
Muitos têm medo de arriscar, pois além dos vinhos uruguaios ainda terem certo “preconceito” em nosso país, o Preludio é um vinho um tanto caro, mas vale cada centavo, pode apostar sem medo que será uma experiência única, um grande vinho que lembra grandes vinhos do velho mundo. Recomendo, recomendo mesmo!

Qual vinho? Preludio 2004 – Família Deicas – Establecimiento Juanicó
Onde encontro? Até hoje não encontrei o Preludio em restaurantes ou lojas Brasilienses, caso você conheça alguma que tenha, por favor, avise para eu postar aqui. Online, no site www.wine.com.br ou em Free Shops de aeroportos.
Quanto? Uma garrafa de Preludio gira em torno de uns 150 reais no Brasil. Em Montevidéu, consegue-se facilmente pelo equivalente em pesos a 70 reais.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Casal Mendes 2010 - Verde


Aproveitando o embalo lusitano falarei de outro português, desta vez um vinho verde, Casal Mendes.
A cave Aliança acertou na proposta da apresentação deste vinho, a garrafa e o rótulo são joviais e já lhe dão uma prévia do que está por vir.
O mais interessante do Mendes verde é o quanto esse vinho alegre e jovial agrada os paladares femininos, é o favorito várias amigas. É um vinho seco, mas levemente adocicado que não chega a ser, de forma alguma, enjoativo.
Este vinho um amigo me presenteou um dia e curiosamente eu o tomei pela primeira vez em minha casa juntamente com... SUSHI! Sim, sushi!
Alegre e super "verão", sua cor é um leve amarelo esverdeado bem translúcido que já inspira refrescância. No discreto aroma prevalecem as frutas tropicais e ao entrar em contato com a boca, toda aquela refrescância prevista com a aparência e o aroma é confirmada. Logo de início tem certa acidez, posteriormente seu final é longo e adocicado. Encontra-se uma forte nota de maçã verde e damascos.
Este vinho nasceu para ser refrescante, daí a necessidade de tomar bem gelado, ao ficar na garrafa fora da geladeira por muito tempo, confesso que perde um pouco sua graça e a generosidade de sua refrescância. Frescor este que harmonizou divinamente com o sushi.
Recomendo muito mesmo ás mulheres. Àqueles que procuram um vinho para harmonizar com saladas, frutos do mar e pelo incrível que pareça, sushi (por que não?) é uma excelente pedida, pois tem excelente custo-benefício!

Qual vinho? Casal Mendes Verde 2010
Onde encontro? Encontrei no Pão de Açúcar por 16,90 e no Carrefour por 19,90.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Paulo Laureano Clássico 2006



Começarei aqui com um de meus favoritos para o dia-a-dia. Genuinamente portugues e levando no rótulo a silhueta do rosto, com um grande bigode, de seu criador, o Paulo Laureano Clássico estampa com orgulho tanto no rótulo quanto na rolha: feito com castas nacionais (portuguesas). Alentejano original, com a mistura entre as uvas aragonês e trincadeira, nos trás um frescor único e agradável.
Provei pela primeira vez o Paulo Laureano no restaurante Dom Francisco (recomendadíssimo, mas falarei dele em postagem a parte). Pedi uma picanha e atendi a sugestão do sommelier quanto ao vinho. Excelente sugestão!
Paulo Laureano Clássico é o que chamamos de um vinho com taninos redondos, está pronto para o consumo. Certeza de satisfação, cor vermelho granada intensa, com aroma frutado, ameixas e azeitonas, sabor refrescante e macio de frutas vermelhas, com final de média persistência e que fez toda a diferença em uma harmonização perfeita com a picanha e a visão do lago paranoá no sol de 40º que fazia lá fora, me senti nas planices do Alentejo.
Este vinho é perfeitamente equilibrado e com um preço super acessível para o seu dia-a-dia.

Qual vinho? Paulo Laureano Clássico 2006
Onde encontro? Encontrei na Super Adega (loja fisica e online) e no Restaurante Dom Francisco da ASBAC.
Quanto? Paguei cerca de 25 reais.